7 décembre 2021
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Axe.s : EL
▸ Journée d’étude

Encontro de escritoras com 

A discussão envolvendo traumas, adoecimentos, angústias, desequilíbrios, que se manifestam no psiquismo e, consequentemente, no corpo não é nova. Há tempos, a literatura tematiza diversas formas de adoecimento que atingem o feminino: ora reiterando a posição feminina como condição de fragilidade e, portanto, mais susceptível a tal adoecimento, ora questionando esse lugar e denunciando os estereótipos da loucura como patologia intrínseca ao feminino. Muitas têm sido as possibilidades de focalização das infinitas formas de sofrimento psíquico no texto literário de autoria feminina.

Freud já questionava, sem pretender responder totalmente à questão, o que desejava uma mulher. Ao fazê-lo, abriu caminho para a elaboração de uma série de perguntas a propósito do lugar (ou da condição) do feminino ao longo do processo civilizatório.

Lacan, ao retomar Freud, propõe o feminino como sendo uma posição adotada pelo ser falante, posição “não-toda”, posição de falta permanente, que coloca em cena a castração contingencial experimentada por todos os humanos.

A intelectual feminista bell hooks afirma que a experiência do trauma do racismo, que atinge os corpos das mulheres negras, ainda permanece em cena e não pode ser minimizada, remetendo-nos ao pensamento do psiquiatra Frantz Fanon, que identificou, quando nos apresentou o drama dos corpos negros submetidos às máscaras brancas, as representações da alienação durante o período colonial. Na senda desse debate, Grada Kilomba afirma, suplementando o discurso de Simone de Beauvoir e o de Fanon: “Toda vez que sou colocada como “Outra”, estou experenciando o racismo, porque eu não sou “outra”. Eu sou eu mesma.”

No contrafluxo à falta, à dor, ao silenciamento, aos traumas e às assimetrias de poderes, cada vez mais se torna visível, na cena do debate público e da circulação das produções artístico-verbais, a agência do movimento em rede protagonizado por mulheres, em especial por mulheres negras, em suas pluralidades, que articulam variáveis de gênero, raça e classe, na esteira do proposto por Angela Davis e Sueli Carneiro. Elencamos tais pensadoras/es apenas como um ponto de partida para a discussão desse encontro. Nosso objetivo é ampliar, tanto quanto possível, a discussão sobre como a escrita literária de autoria feminina vem promovendo reflexões sobre o adoecimento psíquico e suas complexidades na contemporaneidade.

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